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Você sabe como é feita uma cirurgia cardíaca?

Entender o que envolve uma cirurgia cardíaca aberta ajuda a colocar em perspectiva as alternativas menos invasivas disponíveis hoje — mas também é importante saber que, em determinadas situações, a cirurgia continua sendo o tratamento mais seguro e eficaz.

A cirurgia de revascularização do miocárdio, popularmente conhecida como "ponte de safena", é o procedimento cirúrgico usado para restaurar o fluxo sanguíneo do coração quando as artérias coronárias estão obstruídas por aterosclerose. É diferente do cateterismo e da angioplastia, procedimentos realizados por dentro dos vasos sanguíneos, sem necessidade de abrir o tórax.

Como é feito o procedimento, na prática

Na forma convencional, o acesso é feito por uma incisão no centro do peito, com abertura do osso esterno (esternotomia mediana). Durante a parte principal da cirurgia, o coração costuma ser parado temporariamente, e uma máquina de circulação extracorpórea assume a função de bombear e oxigenar o sangue no lugar do coração e dos pulmões. O cirurgião então retira um vaso saudável — geralmente da perna (veia safena) ou do próprio tórax (artéria mamária) — e o utiliza para criar uma nova rota de fluxo sanguíneo, contornando a obstrução.

O paciente é submetido à anestesia geral e permanece intubado durante toda a cirurgia e por um período após, até que a respiração espontânea seja considerada segura. Após o procedimento, a recuperação inicial acontece na UTI, com monitorização intensiva, controle da dor, mobilização precoce e exercícios respiratórios — e a recuperação completa costuma levar de semanas a poucos meses, incluindo o processo de cicatrização do osso do esterno.

Por que isso importa na decisão de tratamento: comparado a um cateterismo com angioplastia — realizado por uma pequena punção no punho ou na virilha, geralmente com alta no dia seguinte e retorno às atividades em poucos dias — a cirurgia cardíaca é um procedimento de maior porte, com anestesia geral, tempo de internação mais longo e recuperação mais lenta. Por isso, quando ambas as opções são clinicamente equivalentes para o seu caso, a alternativa menos invasiva costuma ser preferível.

Quando a cirurgia ainda é a melhor escolha

É importante ser claro: a cirurgia cardíaca não é uma opção ultrapassada, e em diversas situações continua sendo o tratamento mais seguro e com melhores resultados a longo prazo. Isso costuma se aplicar a doença coronariana multiarterial extensa (múltiplas obstruções importantes), obstrução significativa do tronco da coronária esquerda, pacientes diabéticos com doença extensa (onde estudos mostram vantagem de sobrevida da cirurgia sobre a angioplastia em determinados cenários), e certas doenças valvares complexas que ainda não têm alternativa segura por cateter. A decisão entre cateterismo/angioplastia e cirurgia deve ser sempre individualizada, muitas vezes discutida em equipe entre cardiologista clínico, intervencionista e cirurgião cardíaco — o chamado "heart team".

Técnicas minimamente invasivas em cirurgia

Vale mencionar que a própria cirurgia cardíaca também evoluiu: em casos selecionados, já é possível realizar procedimentos por incisões menores, sem esternotomia completa, reduzindo parte do trauma cirúrgico — embora ainda exijam anestesia geral e, na maioria dos casos, circulação extracorpórea.

Perguntas frequentes sobre cirurgia cardíaca

Toda obstrução nas coronárias precisa de cirurgia?

Não. Muitas obstruções, mesmo significativas, podem ser tratadas com angioplastia e stent, por cateter, sem necessidade de cirurgia aberta. A decisão depende do número, localização e complexidade das obstruções.

Qual o tempo de recuperação de uma cirurgia cardíaca?

A internação hospitalar costuma durar cerca de uma semana, mas a recuperação completa, incluindo a cicatrização óssea do esterno e o retorno a atividades mais intensas, geralmente leva de dois a três meses.

Quem já fez ponte de safena pode precisar de nova cirurgia no futuro?

As pontes também podem obstruir ao longo dos anos, principalmente sem controle adequado dos fatores de risco. Quando isso acontece, muitas vezes o problema pode ser resolvido por cateterismo, sem necessidade de nova cirurgia.

Como saber se o meu caso é para cirurgia ou para cateterismo?

Essa avaliação depende de exames de imagem das coronárias e de uma análise detalhada da complexidade da obstrução — é exatamente essa decisão que discutimos em consulta, sempre com base no que oferece a melhor relação de segurança e resultado a longo prazo para o seu caso específico.

— Dr. Murilo Camargo

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